23 abril 2013

==> À Rua, à Noite


A Rua estava linda... Mas sentia-se um pouco só.

Eu lhe disse que era a Noite, a responsável por sua solidão, e que, na verdade, não era culpa dela, porque a Noite deve vir sempre... Toda noite... Naturalmente.
Apenas cai, sem culpa e errante.

Então, apresentei à Rua a Noite, que pôde explicar-lhe tudo.
Escura e doce, disse-lhe que, quando cai, não a 
notam, e, por isso, ela também se sente só. Sente muito.

A Rua sorriu e a Noite também. Já não sentiam-se mais sozinhas.

Eu lhes pedi licença e entrei em casa.





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01 abril 2013

==> Escolhas


Após três dias de reclusão, em seu apartamento, à base de livros e vinhos, ambos baratos, resolveu abrir o jornal para ler o horóscopo e saber se deveria seguir algum caminho naquele dia, já que os dias que precederam, apenas lhe trancafiaram mais e os informativos ficaram intactos, empilhados em sua porta.
No texto de seu signo, dizia: “este é um dia de prosperidade, um dia de muita sorte. Talvez, o dia que tanto esperava”.

Esboçou um sorriso no rosto, finalmente, pois o mais próximo que chegara a isso, nos dias anteriores, fora ao acordar, quando bocejava, esticando a pele e contraindo a musculatura facial. A partir daí, era a mesma expressão, até o momento de se deitar para bocejar o fechamento do seu dia.

Terminada a leitura, um alívio pairou no ar. Tomou coragem e passou a vestir-se para sair.
Perfumou-se exageradamente, com aquele perfume especial que estava guardado no fundo do guarda-roupa havia tanto tempo, que criara bolhas de óleo, da essência, no fundo do vidro, mostrando-se velho.
Por fim, vestiu sua blusa laranja, a que tanto gostava e esquentaria seu corpo, tornando-o mais seguro na imensidão azul que enfrentaria. 


O sorriso, que há alguns dias fugira de seu rosto, já não era mais um esboço, parecia voltar aos poucos, traço a traço, lentamente, mas querendo fazer-se ali novamente, naquela face tão esquecida.

Saiu com certa pressa. Atravessou a rua no sinal fechado para pedestres, querendo chegar logo do outro lado, como se lá estivessem os seus princípios e glórias.
Foi quando lembrou-se de que sua assinatura do jornal havia expirado no dia anterior, e que, na verdade, toda a maravilha presente nas encorajadoras palavras lidas no horóscopo de "hoje", era do jornal de ontem.
















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